Fiz um comentário sobre esta publicação de Willians Fiori, na sua página do Linkedin. O título: “Longevidade não pode ser uma guerra contra a vida” (https://www.linkedin.com/in/will2703/?locale=pt).
Se você é 60+ precisa ler. Se é menos, também. Leia este trecho:
Foi então que eu dei lá os meus dois reais de contribuição, sem vergonha nem nada, já que ele é um especialista na área do envelhecimento. Senti-me a vontade de, como ele mesmo escreveu, “falar para fora”:
Referia-me a um texto que escrevi há pouco mais de um ano, após responder a outro comentário (será que sou a louca dos comentários?), dessa vez na publicação de @patriciamarra_fotografia sobre etarismo (este aqui: https://lnkd.in/dHc4bAtJ).
Demorou um nada para ele responder, mas de uma forma inesperada: com outro post intitulado “Falar de longevidade é um privilégio. Vivê-la aos 50 é outra história” (https://lnkd.in/p/ditk7qx7), que tomo a liberdade de copiar e colar aqui. Adoro guardar memórias, mais que isso, preciso guardá-las, ” para quando eu não for mais deste mundo e, assim, as pessoas puderem, conhecer um pouco do que foi a minha ética”…
FALAR DE LONGEVIDADE É UM PRIVILÉGIO. VIVÊ LA AOS 50 É OUTRA HISTÓRIA.
Poder falar de longevidade todos os dias é um privilégio que tenho. Estudo o envelhecimento, dou aulas, faço palestras, escrevo, converso com pessoas e tento ampliar essa discussão para além do mundo acadêmico e da medicina. Só que agora existe uma diferença importante: aos 50 anos, eu também estou vivendo essa longevidade.
Não falo mais apenas como especialista. Falo como alguém que começa a perceber no próprio cotidiano os olhares, os julgamentos, as oportunidades que se afastam e os espaços que parecem ter i dade permitida para serem ocupados.Por isso o texto de Helenice Schiavon me tocou tanto.
Aos 65 anos, ela reconhece que o etarismo já a impediu de estar em alguns lugares. Não porque lhe faltassem criatividade, competência, desejo ou capacidade. Simplesmente porque ainda vivemos em uma sociedade que transforma idade em prazo de validade.Roberto Duailib, aos 89 anos, revela uma contradição que o mercado publicitário prefere esconder. As empresas dizem valorizar experiência, mas dificilmente encontramos profissionais com mais de 60 anos dentro das agências. Querem profissionais seniores. Pessoas maduras, nem tanto. Só que a história de Helenice não termina naquilo que lhe foi negado. Um comentário no Instagram encontra Patrícia, uma profissional de 58 anos que deixou o marketing e passou a fotografar. O encontro virtual vira café, conversa, docinhos de Páscoa, risadas e fotografias.
Duas mulheres maduras transformando indignação em presença.Uma reconhecendo a potência da outra. Isso também é longevidade. É continuar aceitando convites, criando, escrevendo, encontrando pessoas e se emocionando. É compreender que envelhecer não significa desaparecer. Significa acumular histórias sem perder a vontade de viver as próximas.
Helenice diz que não é “fogo bobo”. Eu também não quero ser. Quero continuar falando de longevidade todos os dias, mas, principalmente, quero vivê la com curiosidade, intensidade e presença. Porque chegar aos 50 anos não me colocou diante do fim de alguma coisa. Colocou me diante de uma nova parte da vida que eu finalmente posso estudar vivendo.