EXPLICAÇÃO NECESSÁRIA
Custei muito a pensar em qual título daria a este ensaio, porque a ideia visual que tenho deste livro é que sua história está toda unida por um fio – não no sentido de algo frágil, mas um fio flexível que ata, tece, entrelaça contas e histórias.
Mas, ao pensar nas joias que durante a leitura são atadas a este fio, não as via distantes umas das outras, mas aproximadas pelo seu entrelaçar – de tal forma que Heloísa está próxima de Thomas, como Thomas de Estas, como Estas de Marlui e assim por diante; seres indissociáveis vivendo um eterno ciclo.
Surgiu-me, então que, em lugar usar a palavra ‘fio”, usasse a palavra “camada”, pois que, assim, daria a ideia de que, neste livro, moram seres extraordinários e de personalidade única, que se permitem se entrelaçar neste longo, longo fio sem perder a beleza. Seguem, então, as CAMADAS que visualizei na obra O MÚSICO:
CAMADA AUTORA

Heloisa Prieto é autora de 103 obras de ficção e fantasia voltadas para públicos diversos. Detentora dos principais prêmios de literatura brasileira, teve diversas obras adaptadas para o teatro, cinema e televisão.
Doutora em teoria literária, (Universidade de São Paulo), mestra em comunicação e semiótica (Pontifícia Universidade Católica) também traduz e coordena coleções. Pesquisadora das tradições orais brasileiras, bem como de mitos e lendas universais, ministra oficinas de criação literária em diferentes instituições.
Seja qual for o público alvo de seus títulos, seu estilo fluido é marcado pelo trabalho de captura das vozes, com grande destaque para narradores em primeira pessoa e diálogos tocantes.

Conheci a Heloísa Prieto há muitos, muitos anos e através dos livros infanto-juvenis. E me lembro de ter organizado uma instalação com um de seus livros, na mostra cultural da escola onde dava aula: era sobre uma lenda recontada pela autora, A Caixa de Pandora.
Foi mágico. Havia pegadas no chão, luzes, panos, brilhos, e um caminho tortuoso, misterioso, cheio de monstros, que levava à caixa, de onde, claro, saia a Esperança. Recontar aquela história daquele modo foi mágico. Talvez ali tenha sido um dos meus primeiros projetos com mapeamento de ideias e processos de expansão de palavras. Um trabalho que envolveu Design Thinking, storytelling e mapa conceitual.
O que é esperança? O que não é esperança? O que se identifica, se associa e se opõe à esperança? Quais são os monstros que ocupavam a caixa? Quantos são eles? Quais são eles, o que são capazes de fazer ou não fazer? Que lugares eles ocuparão no mundo? Será preciso resgatá-los, aprisioná-los? Pandora poderá ser perdoada? Errar é humano, mas, será que há limites para errar? Haverá mágica nisso? Qual?
Anos depois, encontrei O Músico. Ainda estou no início da leitura, é muito cedo para tecer comentários. Cedo demais para ler uma crítica. Posso dizer que já encontrei alguns personagens, cujas histórias estão se entrelaçando. Mas tem um que já me parece especial: Estas Tonne.
CAMADA ESTAS TONNE
| Quem é ele, afinal? |
“Estas Tonne é um carismático trovador dos tempos modernos que, ao tocar, espalha pelo mundo uma mensagem inspiradora da nova consciência e do novo paradigma, encantando audiências desde as Américas à Índia, do Médio Oriente à Europa. É conhecido pelo seu estilo de guitarra, único e marcante, que toca profundamente os ouvintes, especialmente aqueles que testemunham a intensidade de sua música ao vivo.“
Estas Tonne é a trilha sonora deste livro. E, por enquanto, é isso que nos basta:
CAMADA THOMAS
Tive que reiniciar a leitura do livro. Poderia ter continuado, eu sei, mas apenas se tivesse com ela o objetivo da curiosidade. Confesso, as leituras geralmente não têm essa função para mim.
Sou autodidata em muitas coisas, já disse antes – o que faz de mim uma pessoa naturalmente curiosa e insistentemente especulativa. Quando leio, gosto de observar, problematizar, pesquisar, investigar. Eu bem que tento ler por ler, ler para me entreter e me deixar surpreender, mas tenho uma dificuldade imensa em ver uma janela aberta e não olhar através dela. E olha, preciso dizer: sou uma caçadora de janelas abertas (e pacotes fechados).
Foi essa minha condição que me fez reiniciar a leitura. Há uma espécie de “charada” a ser desvendada neste livro, cuja solução está na forma como os personagens (seus dons, virtudes e potências) se enlaçam.
Drama é a vida sem as partes chatas”, dizia Alfred Hitchcock.
A CAMADA THOMAS me parece a de maior complexidade de todas. Não porque seja a mais difícil, mas porque. além das ações dos personagens do livro se atrelarem às dele, há uma narrativa que corre em paralelo à história central, que são as suas notas de diário. Aquela imagem das anotações de Thomas voando ao vento no meio da praça fazem total sentido também para nós, leitores – e é como se também nós tivéssemos contato com seres mágicos.
Não estou exagerando. Tomemos um exemplo: na página lê-se uma poesia de Gèrald de Merval, traduzida na página seguinte. Uma pesquisa rápida pelo nome do autor, Gèrald de Merval, já nos abre um universo.