Em dezembro de 2025

A palavra repertório se aplica em muitos contextos. Há o acadêmico, o musical, o teatral, o sociocultural, o literário, entre tantos outros. A palavra repertório é daquelas que se desdobra, se ajusta, se acomoda com vontade e boa fé, mas se tem uma coisa que ela não faz é ser peça de jogo.
Repertório não tem papel de coringa, em nenhum contexto. Não é algo que se possa sacar do bolso, do casaco, não compõe o cinto de inutilidades de um alquimista. Repertório não é algo que se pode usar para salvar a pele, para dar a resposta correta, para conferir um ar de intelectualidade ao que se escreve ou diz. Repertório não é algo que vai assegurar você de se dar bem e pronto. Antes de tudo, repertório é algo que me tocou na individualidade, na ignorância, no espanto, que fez sentido para mim e que, por isso, me levou a conhecer algo em profundidade. É algo que me leva a um lugar tão original e autoral, que, como consequência, me dá liberdade poética – e ética – de criar a partir do valor do outro.
Repertório coringa é uma blasfêmia.